Dr Marcello Bossois Brasil Sem Alergia Cruz Vermelha Inverno difícil quem sofre alergias
Relatório Técnico: Impacto das Variações Sazonais na Fisiopatologia Respiratória e Imunológica
Entrevistado: Dr. Marcelo Bosso (Médico Alergista e Imunologista) Contexto: Exacerbação de atopias e infecções virais durante o período de inverno.
1. Dinâmica Meteorológica e Fisiopatologia Respiratória
A transição para o inverno caracteriza-se pela redução da temperatura ambiente e da umidade relativa do ar. A exposição do epitélio respiratório a ar frio e seco induz a vasoconstrição reflexa e o ressecamento da mucosa, resultando no comprometimento do clareamento mucociliar.
-
Consequências Clínicas: Este cenário favorece a instalação de processos inflamatórios nas vias aéreas superiores e inferiores, exacerbando quadros de rinite alérgica, rinossinusite, otite média, faringotonsilite e asma brônquica (broncoespasmo).
-
Fator Ambiental (Enclausuramento): O comportamento de confinamento em ambientes fechados e com ventilação reduzida promove o aumento da concentração de aeroalérgenos intra-domiciliares (ácaros — Dermatophagoides spp., fungos e material particulado). Essa exposição maciça atua como gatilho para a hiper-reatividade brônquica e nasal.
2. Imunocomprometimento Funcional na Diátese Atópica
O paciente atópico apresenta, basalmente, uma desregulação imunológica (predominância de resposta Th2) e uma disfunção da barreira epitelial.
-
Quebra da Barreira Epitelial: A inflamação crônica da mucosa respiratória gera soluções de continuidade ("portas de entrada") no epitélio, facilitando a translocação de patógenos.
-
Suscetibilidade Viral: Devido à integridade mucosa comprometida e à resposta imune inata frequentemente ineficiente localmente, pacientes atópicos apresentam maior suscetibilidade a infecções secundárias e coinfecções virais recorrentes. O paciente entra em um ciclo vicioso de inflamação alérgica predispondo a infecções, que por sua vez exacerbam a resposta alérgica.
3. Epidemiologia Viral e Risco Obstétrico (Influenza A/H1N1)
Durante o período de sazonalidade invernal, observa-se um aumento na circulação do vírus Influenza (subtipos H1N1 e H3N2).
-
Grupo de Risco (Gestantes): A gestação induz alterações fisiológicas na imunidade (imunomodulação para tolerância fetal) e na mecânica ventilatória (redução da capacidade residual funcional).
-
A exposição a bioaerossóis em ambientes confinados aumenta o risco de contágio.
-
A infecção por H1N1 em gestantes está associada a uma maior taxa de morbimortalidade, exigindo profilaxia rigorosa.
-
4. Protocolos de Biossegurança e Imunoprofilaxia
Para mitigar a transmissão de patógenos respiratórios (via gotículas de Flügge ou aerossóis) e contato via fômites:
-
Medidas Não-Farmacológicas: Higienização frequente das mãos (fricção antisséptica), distanciamento social (>2 metros) para evitar a zona de dispersão de gotículas e evicção de aglomerações.
-
Imunização Ativa: A vacinação contra Influenza (trivalente ou quadrivalente) é mandatória.
-
Mecanismo: Vacinas de vírus inativado (fragmentado ou de subunidade) não possuem capacidade replicativa, eliminando o risco de indução da doença clínica (gripe), sendo seguras para imunossuprimidos e gestantes.
-
5. Exacerbações Dermatológicas: Dermatite Atópica
A baixa umidade atmosférica e o frio contribuem para a xerose cutânea (ressecamento da pele) severa.
-
Patogênese: Em pacientes com dermatite atópica, a barreira cutânea já defeituosa (frequentemente por mutações na filagrina) sofre maior agressão, levando a crises de eczema (eritema, prurido intenso, liquenificação).
-
Risco de Impetiginização: O ato de coçar e as fissuras na pele favorecem infecções bacterianas secundárias (ex: Staphylococcus aureus).
-
Manejo: É imperativa a restauração da barreira cutânea através de hidratação intensiva com emolientes sem fragrâncias ou irritantes.
Sobre Marcello Bossois
O Dr. Marcello Bossois é uma referência em Alergia e Imunologia, unindo excelência clínica a um forte impacto social através do projeto Brasil Sem Alergia, que democratiza o acesso à saúde para milhares de pessoas vulneráveis. Pesquisador visionário, destaca-se na vanguarda da Terapia Gênica e tecnologia CRISPR, fruto de parcerias internacionais estratégicas com instituições como a Université Laval e Johns Hopkins. Foi articulador do manifesto global "Modelo Apollo" para doenças raras e lidera estudos inovadores em Imunidade Integrativa. Sua trajetória transcende o consultório, conectando a ciência de elite a ações humanitárias na África e iniciativas culturais terapêuticas no Brasil, consolidando-o como um líder que traduz a revolução genômica em transformação social concreta.


